Neoadjuvant Radiotherapy vs Up-Front Surgery for Resectable Locally Advanced Rectal Cancer Po-Chuan Chen, MD; Avery Shuei-He Yang, MS; Alessandro Fichera, MD; Mu-Hung Tsai, MD; Yuan-HuaWu, MD; Yu-Min Yeh, MD, PhD; Yu Shyr, PhD; Edward Chia-Cheng Lai, PhD; Chao-Han Lai, MD, PhD JAMA Network Open. 2025;8(5):e259049. doi:10.1001/jamanetworkopen.2025.9049 Atualmente as linhas orientadoras para o tratamento do cancro do reto localmente avançado ressecável (RLARC), advogam que a abordagem terapêutica deve constar de radioquimioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia ou vigilância, se for obtida uma remissão clínica completa. Motivados pela vontade de melhorar o controlo oncológico local, a maior parte dos grupos de trabalho propõe este procedimento para RLARC em qualquer localização no reto. No entanto, trabalhos recentes, reportaram não haver benefício oncológico, com esta estratégia, para os tumores localizados no 1/3 superior do reto, já que não há evidencia de benefícios na sobrevivência global (OS) e/ou livre de doença (DFS), bem como na taxa de recorrência local (LR). Sendo de assinalar que as consequências negativas da radioterapia não são negligenciáveis. Este trabalho avalia um total de 4099 doentes com RLARC (cT1-2 N1-2, cT3 Nqualquer), sendo 1436 orientados para Radioterapia neoadjuvante e 2663 orientados diretamente para cirurgia. Concluem que a radiopterapia neoadjuvante seguida de cirurgia não esteve associada a melhoria da OS ou da LR nos doentes com tumores do 1/3 superior do reto. O mesmo não é verdade para os doentes com tumores localizados ao 1/3 médio e/ou inferior. Associadamente foi evidente que os doentes submetidos a radioterapia antes da cirurgia, tiveram maior probabilidade de terem um estoma derivativo, independentemente da localização do tumor no reto. Curiosamente, o risco de construção de estoma derivativo, comparando os doentes com radioterapia prévia á cirurgia com os doentes em que a cirurgia foi o tratamento inicial, foi maior nos doentes com tumores do 1/3 superior. Também o risco de estoma permanente, aos 3 anos de follow-up, foi maior nos doentes com tumores do terço superior do reto. Nos tumores do 1/3 superior do reto, o uso de radioterapia neoadjuvante, com o objetivo de obter melhores resultados oncológicos e realização de estomas derivativos para minimizar o risco de fístulas/deiscências sintomáticas, pode não se justificar. Estes achados devem conduzir-nos a uma reflexão acerca de um potencial sobretratamento e dano da radioterapia neoadjuvante, e levar seriamente em consideração a importância de considerar a localização do tumor quando estivermos perante um doente com RLARC. Alexandre Duarte
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