SÓCIOS
Fevereiro 2026

 

SPCPnews Fevereiro 2026

 

 

 

 

BACKGROUND:

Over the past few decades, several surgical approaches have been proposed to treat hemorrhoids.

 

OBJECTIVE:

This multicenter study aimed to compare transanal hemorrhoidal artery ligation and conventional excisional hemorrhoidectomy for grade III hemorrhoidal disease.

 

DESIGN:

Multicenter retrospective study.

 

SETTINGS:

Any center belonging to the Italian Society of Colorectal Surgery in which at least 30 surgical procedures per year for hemorrhoidal disease were performed was able to join the study.

 

PATIENTS:

Clinical data from patients with Goligher's grade III hemorrhoidal disease who underwent excisional hemorrhoidectomy or hemorrhoidal artery ligation were retrospectively analyzed after a 24-month follow-up period.

 

MAIN OUTCOME MEASURES:

The primary aims were to evaluate the adoption of 2 different surgical techniques and to compare them in terms of symptoms, postoperative adverse events, and recurrences at a 24-month follow-up.

 

RESULTS:

Data from 1681 patients were analyzed. The results of both groups were comparable in terms of postoperative clinical score by multiple regression analysis and matched case–control analysis. Patients who underwent excisional hemorrhoidectomy had a significantly higher risk of postoperative complication (adjusted OR = 1.58; p = 0.006). A secondary analysis highlighted that excisional hemorrhoidectomy performed with new devices and hemorrhoidal artery ligation reported a significantly lower risk for complications than excisional hemorrhoidectomy performed with traditional monopolar diathermy. At the 24-month follow-up assessment, recurrence was significantly higher in the hemorrhoidal artery ligation group (adjusted OR = 0.50; p = 0.001). A secondary analysis did not show a higher risk of recurrences based on the type of device.

 

LIMITATIONS:

The retrospective design and the self-reported nature of data from different centers.

 

CONCLUSIONS:

Hemorrhoidal artery ligation is an effective option for grade III hemorrhoidal disease; however, it is burdened by a high risk of recurrences. Excisional hemorrhoidectomy performed with newer devices is competitive in terms of postoperative complications.

Estudo retrospetivo multicêntrico envolvendo 28 serviços de Cirurgia acreditados pela Sociedade Italiana de Cirurgia Coloretal (EMODART 3 multicenter study).

Foram estudados 1681 doentes com hemorroides grau III de Goligher. Os doentes foram submetidos a hemorroidectomia excisional (com energia monopolar, com energia bipolar e com energia ultrasónica)1238 doentes e cirurgia de laqueação das artérias hemorroidárias com mucopexia 443 doentes.

 

 

O estudo concluiu que a laqueação das artérias hemorroidárias com mucopexia apresenta vantagens em termos de complicações e dor pós-operatória, mas maior taxa de recidiva aos 24 meses.

A hemorroidectomia excisional com bisturi bipolar ou ultrassónico tem vantagens em termos de complicações pós-operatórias comparativamente com a técnica excisional clássica.

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Neste mês, damos destaque a um artigo publicado em dezembro de 2025, no British Medical Journal, que faz um excelente apanhado das principais guidelinesinternacionais no que respeita à terapêutica médica da Doença Inflamatória Intestinal (DII). Convidamos a todos à sua leitura, pois está simples, pragmático e conciso.

 

Na última década, os objetivos terapêuticos da DII mudaram de um mero controlo sintomático para atingimento não só da remissão clínica como também da remissão profunda, incluindo cicatrização mucosa na endoscopia, resolução do espessamento em exames de imagem e normalização da calprotectina. Esta estratégia “treat-to-target” está associada a melhor prognóstico a longo prazo e qualidade de vida dos doentes.

 

O manejo clínico deve ser individualizado, considerando a gravidade, a extensão e o comportamento da doença. Para tal, contamos com os agentes convencionais (5-ASAs, corticoides, imunomoduladores), agentes biológicos (anti-TNF alfa, anti-integrinas, anti-IL12/23, anti-IL23), biossimilares e pequenas moléculas (inibidores JAK, moduladores do recetor S1P). Este artigo discute as indicações, a posologia, a segurança e a eficácia das diferentes terapêuticas. Contudo, apesar dos claros avanços na terapêutica da DII nos últimos anos, uma proporção significativa de doentes apresenta resposta inadequada ou perda de resposta e, como tal, recentemente, têm sido, inclusive, utilizadas combinações de terapêuticas avançadas. O artigo destaca, também, a utilização destas armas terapêuticas em populações especiais, tais como na gravidez e amamentação, na presença de manifestações extraintestinais e não esquecendo o doente idoso, uma realidade com a qual cada vez mais nos deparamos.

 

A introdução dos biológicos e das pequenas moléculas reduziu notavelmente a necessidade de cirurgia, apesar de ainda permanecer essencial na doença refratária ou tratamento de complicações. A não esquecer que os corticoides aumentam a morbimortalidade pós-operatória.

 

A prevenção da recidiva pós-operatória também é abordada, tendo em conta os fatores de alto risco de recidiva e a avaliação através de ileocolonoscopia 6 a 12 meses após a cirurgia através do score de Rutgeerts.

 

A malignidade é também discutida no artigo, nomeadamente em doentes com história passada de cancro em que se acredita que os biológicos sejam seguros ou em doentes em que no decurso do seu tratamento biológico surgem com neoplasia, sendo importante a discussão caso a caso com o oncologista.  

 

Por fim, os autores enfatizam a importância da avaliação destes doentes em equipa multidisciplinar.

 

Ana Lúcia Sousa

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