Neste mês, damos destaque a um artigo publicado em dezembro de 2025, no British Medical Journal, que faz um excelente apanhado das principais guidelinesinternacionais no que respeita à terapêutica médica da Doença Inflamatória Intestinal (DII). Convidamos a todos à sua leitura, pois está simples, pragmático e conciso.
Na última década, os objetivos terapêuticos da DII mudaram de um mero controlo sintomático para atingimento não só da remissão clínica como também da remissão profunda, incluindo cicatrização mucosa na endoscopia, resolução do espessamento em exames de imagem e normalização da calprotectina. Esta estratégia “treat-to-target” está associada a melhor prognóstico a longo prazo e qualidade de vida dos doentes.
O manejo clínico deve ser individualizado, considerando a gravidade, a extensão e o comportamento da doença. Para tal, contamos com os agentes convencionais (5-ASAs, corticoides, imunomoduladores), agentes biológicos (anti-TNF alfa, anti-integrinas, anti-IL12/23, anti-IL23), biossimilares e pequenas moléculas (inibidores JAK, moduladores do recetor S1P). Este artigo discute as indicações, a posologia, a segurança e a eficácia das diferentes terapêuticas. Contudo, apesar dos claros avanços na terapêutica da DII nos últimos anos, uma proporção significativa de doentes apresenta resposta inadequada ou perda de resposta e, como tal, recentemente, têm sido, inclusive, utilizadas combinações de terapêuticas avançadas. O artigo destaca, também, a utilização destas armas terapêuticas em populações especiais, tais como na gravidez e amamentação, na presença de manifestações extraintestinais e não esquecendo o doente idoso, uma realidade com a qual cada vez mais nos deparamos.
A introdução dos biológicos e das pequenas moléculas reduziu notavelmente a necessidade de cirurgia, apesar de ainda permanecer essencial na doença refratária ou tratamento de complicações. A não esquecer que os corticoides aumentam a morbimortalidade pós-operatória.
A prevenção da recidiva pós-operatória também é abordada, tendo em conta os fatores de alto risco de recidiva e a avaliação através de ileocolonoscopia 6 a 12 meses após a cirurgia através do score de Rutgeerts.
A malignidade é também discutida no artigo, nomeadamente em doentes com história passada de cancro em que se acredita que os biológicos sejam seguros ou em doentes em que no decurso do seu tratamento biológico surgem com neoplasia, sendo importante a discussão caso a caso com o oncologista.
Por fim, os autores enfatizam a importância da avaliação destes doentes em equipa multidisciplinar.
Ana Lúcia Sousa